No centro de Fortaleza
Tem um sebo interessante,
Cheio de raridades
Recheando cada estante.
Lá aconteceu um caso,
Me contou um visitante.
Começaram a sumir
Muitos livros do local.
Trinta dias, trinta livros
Não deixaram nem sinal.
Onde estavam escondidos?
Um mistério sem igual.
O livreiro do lugar
Tava muito preocupado.
Seu acervo adorado
Vinha sendo depenado.
Só queria o proteger
E parar de ser roubado.
Dentre os desaparecidos
Tinham obras brasileiras.
As primeiras edições,
Raridades verdadeiras,
De Machado e Alencar
A sumir foram as primeiras.
Ele quis investigar
O que estava se passando,
Onde estavam os seus livros?
Começou observando.
Todo mundo que passava
Ia logo interrogando.
Como nada conseguiu,
Uma câmera colocou
Pra pegar o criminoso
Que os seus livros raptou.
Com tamanha artimanha
O gatuno não contou.
Ao olhar o resultado
Da manobra preparada,
A surpresa foi tamanha
Com a imagem revelada,
O meliante era um gato
Com a pele alaranjada.
A filmagem revelou,
Meia-noite entrou um gato.
Caminhou entre as estantes,
Explorou com o olfato
Cada obra que ele viu,
Folheando com seu tato.
Foi difícil acreditar
No que estava avistando,
Um felino bem sagaz
Seu acervo admirando
Tantas preciosidades
O danado lhe roubando.
Pra acabar com essa farra,
Com o assalto do bichano,
Passou a noite de tocaia
Esperando o fulano.
Pra pegar ele no flagra,
Terminar com o seu plano.
Quando o gato apareceu,
O livreiro se escondeu.
Ficou de olhar atento
No livro que ele escolheu,
Iracema de Alencar
Pegou logo e correu.
O dono correu atrás
Do felino marginal
Que foi até a esquina,
Ao lado de um matagal
E entrou em uma casa
O seu destino final.
O livreiro se escondeu,
Antes do gato chegar
Nessa casa abandonada
Que ele estava a morar,
Pro larápio não lhe ver
E na casa, então, entrar.
Sem que fosse percebido,
No recinto adentrou.
Ficou logo admirado
Com o que dentro encontrou,
Era uma biblioteca
E os seus livros avistou.
E maior foi o espanto
Ao ver tudo organizado
Por autor e por assunto,
Muito bem catalogado
Em um armário de fichas,
Além de classificado.
"Eu te pego, sem vergonha
Foi você que me roubou,
Meus livrinhos valiosos"
Irritado, ele gritou.
O bicho tentou fugir,
O livreiro não deixou.
Se sentindo injuriado,
O felino revidou:
"Não roubei coisa nenhuma
Tô salvando o que sobrou,
Vive tudo empoeirado
Pois você abandonou".
O sebista respondeu:
"Não tem nada abandonado,
Muito livro pra olhar,
Fica muito apertado
Cuidar de tudo sozinho
Sem eu ter outro empregado."
O gato fez uma proposta
Pra tentar auxiliar,
Pediu logo um emprego
Pra no sebo trabalhar.
Assim devolvia os livros
E ajudava a cuidar.
O acordo aconteceu
E se mostrou um sucesso.
O gato organizou tudo,
Melhorou o seu acesso.
O sebo então prosperou
E viveu um bom progresso.
O esforço do bichano
O livreiro admitiu.
Era mesmo inteligente,
Como nunca ninguém viu
E foi através dos livros
Que esse gato se instruiu.
Camilla Karine
08/03/2026

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