domingo, 12 de julho de 2026

Literatura de cordel: origens, características e principais autores no Brasil

A literatura de cordel é uma forma de expressão popular característica do Nordeste brasileiro. Apresenta-se a partir de poemas populares escritos em linguagem popular e é tradicionalmente divulgada por meio de folhetos.

Os poemas de cordel se caracterizam por possuir versos rimados, ritmo, métrica bem definida, uso de linguagem coloquial e regional. Além disso, fazem uso de recursos linguísticos como humor, ironia e sarcasmo e abordam temas variados como cotidiano, religiosidade, folclore, cultura, política, acontecimentos históricos e realidade social, entre outros.

Devido à sua importância para a cultura brasileira, em 2018 esse gênero popular passou a ser reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

Origens

Apesar de ser fortemente associada ao Nordeste, sua origem é bem mais antiga que o Brasil e remonta à Idade Média, na Península Ibérica (Portugal), durante meados do século XII.

Assim como o repente, a embolada e a poesia matuta, o cordel também tem raízes na literatura oral.

Nos séculos XII e XIII, os trovadores medievais cantavam os poemas e espalhavam histórias para a população.

Conforme apontado pelo folclorista Câmara Cascudo (1978), os folhetos começaram a circular em Portugal por volta do século XVII, sendo denominados de "folhas volantes" ou "folhas soltas".

Cantadores de viola

Cordel no Brasil

Os folhetos de cordel foram introduzidos no Brasil pelos portugueses durante o processo de colonização das terras brasileiras. Como o Nordeste foi a primeira região colonizada, essa forma de literatura acabou se fixando na região e se tornando parte da cultura.

Durante o período da colonização, a literatura de cordel era usada para narrar as histórias dos colonos. Com o passar do tempo, essa forma de expressão evoluiu, passando a abordar temas variados.

Capas dos cordéis

As capas dos cordéis evoluíram ao longo do tempo e já foram feitas de inúmeras formas. Inicialmente contavam apenas com o título, autor e outras informações impressas. 

Com o passar dos anos, passaram a incluir elementos visuais, como fotos de artistas, desenhos ou ilustrações e gravuras.

Hoje, as capas mais tradicionais são as feitas com xilogravura, uma técnica de entalhar desenhos em madeira para impressão.

Folhetos de cordel

O pai do cordel

Leandro Gomes de Barros é conhecido como o pai do cordel. Não por ter sido o primeiro a escrevê-los, mas por ter sido o primeiro a viver exclusivamente de sua poesia.

Ele é autor de histórias como "O testamento do cachorro" e "O cavalo que defecava dinheiro", que serviram de inspiração para Ariano Suassuna escrever a peça "O Auto da Compadecida".

Outros cordelistas

Ao longo do tempo, inúmeros cordelistas foram surgindo no Brasil. Estima-se que atualmente existem milhares cordelistas em atividade no Brasil

Dentre os autores de cordel mais conhecidos no país, destacam-se figuras como: Patativa do Assaré, Bráulio Bessa, Leandro Gomes de Barros, João Martins de Athayde, Apolônio Alves dos Santos, Arievaldo Viana Lima, Klévisson Viana, Cego Aderaldo, Elias A. de Carvalho, Expedito Sebastião da Silva, José Pacheco, José Bernardo da Silva, João Melquiades Ferreira, entre outros.

Indicações de cordéis

Quem quer ler cordéis interessantes, ficam aqui algumas indicações de clássicos do gênero:
  • A História de Abílio e seu Cachorro Jupi - Patativa do Assaré
  • As Proezas de João Grilo - João Martins de Athayde
  • O Cavalo que Defecava Dinheiro - Leandro Gomes de Barros
  • O Dinheiro ou o Testamento do Cachorro - Leandro Gomes de Barros
  • O Romance do Pavão Misterioso - José Camelo de Melo Rezende
O cordel não é apenas um tipo de literatura, é também uma forma de expressão da cultura brasileira e do nordeste. Mesmo com o passar do tempo, esse gênero segue conquistando novas gerações e permanece vivo.

Você gosta de cordéis? Qual o seu preferido?

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