domingo, 30 de agosto de 2026

Leandro Gomes de Barros: o pai do cordel

Leandro Gomes de Barros

Leandro Gomes de Barros foi um poeta cordelista paraibano. Nasceu em 19 de novembro de 1865, na Fazenda da Melancia, no município de Pombal, na Paraíba, e faleceu em Recife (PE), em 04 de março de 1918.

Hoje é considerado um dos maiores poetas populares do Brasil e é conhecido como o pai do cordel. Ganhou esse título, pois foi o primeiro poeta brasileiro a viver da sua poesia de cordel. Ele escrevia os cordéis, imprimia e viajava bastante vendendo os folhetos.

Costuma-se dizer que Leandro Gomes de Barros foi o primeiro cordelista, mas não foi, já existiam folhetos de cordéis circulando no Brasil antes dele, embora fossem poucos.

No conto "Uns Braços", de 1885 de Machado de Assis, ele cita a existência de um folheto de cordel no Rio de Janeiro.

“Inácio passava-os todos ali no quarto ou à janela, ou relendo um dos três folhetos que trouxera consigo, contos de outros tempos, comprados a tostão, debaixo do passadiço do Largo do Paço. Eram duas horas da tarde. Estava cansado, dormira mal a noite, depois de haver andado muito na véspera; estirou-se na rede, pegou em um dos folhetos, a Princesa Magalona, e começou a ler.”

Obras de Leandro Gomes de Barros

Leandro Gomes de Barros começou a escrever folhetos em 1889. Estima-se que ele tenha escrito mais de 1000 folhetos de cordéis, porém hoje só se tem registro histórico registrado e catalogado de cerca de 240.

Alguns exemplos de clássicos da literatura de cordel escritos por ele

  • O Cavalo que Defecava Dinheiro
  • História do Boi Misterioso
  • Batalha de Oliveiros com Ferrabrás
  • História de Juvenal e o Dragão
  • Suspiros de um Sertanejo
Folhetos de cordel

Direitos autorais

Na época de Leandro, não existia muita preocupação com direitos autorais, ele também foi pioneiro nesse aspecto de se preocupar em defender os direitos autorais de suas obras.

Ele tinha várias técnicas para sinalizar que uma obra era dele, como, por exemplo, colocar sua foto nos folhetos, construir o último verso com o acróstico Leandro.

O uso dessas técnicas para tentar marcar sua autoria sobre os cordéis ajudaram a resgatar a sua obra posteriormente.

Lá inda hoje se vê
Em noites de trovoadas
A vaca misteriosa
Naquelas duas estradas,
Duas mulheres falando,
Rangindo os dentes, chorando
Onde as cenas foram dadas.
(Último verso de O Boi Misterioso)

João Martins de Athayde

João Martins de Athayde foi um cordelista e editor e um dos responsáveis pela popularização do cordel no Brasil.

Quando Leandro Gomes de Barros morreu, ele comprou os direitos autorais de suas obras e passou a publicá-las se intitulando como editor proprietário. Com o tempo, João Martins de Athayde tirou o nome de Leandro dos folhetos e passou a colocar seu nome como autor.

Com a morte de João Martins de Athayde, os direitos autorais foram vendidos por José Bernardo da Silva, de Juazeiro do Norte, proprietário da Gráfica São Francisco e da Lira Nordestina, que também passou a colocar seu nome como autor.

Com isso, várias obras se perderam com o tempo ou ficaram com a autoria errada.

João Martins de Athayde

Resgate das obras

Desde a década de 1960, a Fundação Casa Rui Barbosa, por meio de pesquisadores, vem fazendo um trabalho de resgate das obras de literatura de cordel, visando a preservação, a catalogação e a disponibilização dessas obras. Nesse processo várias obras de Leandro Gomes de Barros foram resgatadas e dada a sua devida autoria.

O nome dele quase foi apagado da história, mas graças ao trabalho da Fundação Casa Rui Barbosa, várias obras dele foram resgatadas e o nome dele não ficou esquecido.

Ele foi muito importante, não só no cordel, mas na literatura brasileira, pois influenciou muitos autores como Ariano Suassuna e continua influenciando até hoje.

Além disso, foi pioneiro em viver de sua poesia e um dos primeiros a se preocupar em proteger a autoria de suas obras.

Leandro Gomes de Barros deixou um legado muito importante na literatura que nunca pode ser esquecido.

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