A Epopeia de Gilgamesh é um poema épico da antiga Mesopotâmia de autoria desconhecida. As primeiras versões surgiram entre os sumérios por volta de 2100 a.C. Ela é considerada a obra literária mais antiga da humanidade.
O poema narra a jornada de Gilgamesh, rei de Uruk, em busca da imortalidade.
Versões da Epopeia de Gilgamesh
A saga de Gilgamesh era muito popular no antigo Oriente Médio. Existem várias versões desse poema. A mais conhecida é a chamada "versão clássica", escrita em arcádio e atribuída ao escriba Sin-léqi-unninni. Ele não é o autor da história, mas foi o redator responsável por organizar essa versão por volta de 1300-1200 a.C.
O poema conta a história de Gilgamesh, o rei da cidade de Uruk. Acredita-se que ele provavelmente existiu e tenha vivido por volta de 2500-2800 a.C., e que sua figura histórica inspirou diversas narrativas lendárias, esta é uma delas.
As primeiras narrativas sobre Gilgamesh são bem mais antigas e foram compostas em sumério.
Segundo a Lista de Reis da Suméria, Gilgamesh foi o quinto rei da cidade-estado de Uruk e seu reinado teria durado 126 anos, mas esse número provavelmente é apenas simbólico.
Descoberta arqueológica
Em 1849, foram realizadas escavações nas ruínas da antiga cidade assíria de Nínive.
Durante as escavações, foram encontradas 12 tabuletas de argila, com cerca de 300 versos cada, com a Epopeia de Gilgamesh gravada em escrita cuneiforme.
As tabuletas estavam na antiga Biblioteca de Nínive, criada pelo rei assírio Assurbanípal, no século VII a.C. Ele tinha o desejo de guardar em sua biblioteca todo o conhecimento produzido no mundo.
A biblioteca tinha mais de 22 mil tabuletas de argila com escrita cuneiforme. Provavelmente também possuía papiros, quadros de madeira e de cera, no entanto, esses outros materiais não resistiram ao tempo.
História da Epopeia de Gilgamesh
Na narrativa, Gilgamesh é descrito como um semideus: um terço humano e dois terços divino. Ele é grande, forte e arrogante. Abusa do seu poder para oprimir seu povo e chega até a exigir a "primeira noite" das mulheres depois do casamento, antes dos maridos.
As mulheres lamentam aos deuses para ajudá-las. A deusa Aruru, então, cria Enkidu, um guerreiro feito de barro para lutar contra Gilgamesh. No entanto, em vez de inimigos, eles se tornam grandes amigos.
Juntos, eles vivem aventuras e desafiam os deuses, lutam contra Humbaba e o Touro Celeste. Isso irrita os deuses e eles são castigados com a morte de Enkidu.
Gilgamesh fica arrasado e passa a temer a sua própria mortalidade, pois ele é semideus e mortal. A partir daí, ele começa uma jornada em busca da sua imortalidade e vai atrás de Uta-napishtim, o único humano que ganhou a vida eterna após sobreviver a um dilúvio que destruiu a humanidade.
Edição da Autêntica
Existem diversas edições da Epopeia de Gilgamesh no mercado editorial. Eu li na edição da Editora Autêntica, que me pareceu uma das mais confiáveis e cuidadosas em relação à tradução.
Nesta edição, os capítulos são chamados de "Tabuinhas”, e vão de 1 a 11. A tabuinha 12 não faz parte da narrativa principal, por isso, não foi incluída.
O texto das tabuletas de argila ainda não foi totalmente reconstruído. Essa edição reúne o que foi feito até 2014, mas algumas partes permanecem fragmentadas e ainda estão sendo decifradas.
Impressões de leitura
Eu gostei muito da leitura. Por ser um poema muito antigo, eu fiquei com medo de não entender a linguagem, mas essa tradução é bastante acessível e dá para acompanhar bem a história.
Quem gosta de poemas épicos e dos clássicos da literatura precisa conhecer essa obra.
A Epopeia de Gilgamesh é fundamental, não só por ser a mais antiga, mas porque representa um registro do momento em que a humanidade começou a escrever, pensar, refletir sobre a vida e preservar seu conhecimento.
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Fontes:
MEDEIROS, Ana Ligia. As Bibliotecas na Antiguidade. Memória e Informação, v. 3, n. 2, p. 69-85, jul./dez. 2019.
EPOPEIA de Gilgamesh. Belo Horizonte: Autêntica, 2024. 157 p.



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